A Quinta da Achada, no Campanário, está profundamente ligada à memória local e ao nome de João da Câmara de Carvalhal (1841–1888). Ainda no século XIX, este espaço era reconhecido pela sua beleza natural e pelo célebre castanheiro monumental, uma árvore de dimensões fora do comum e cuja antiguidade muitos relacionavam com os primórdios do povoamento da Madeira. O tronco oco permitia, segundo relatos da época, instalar no seu interior uma mesa e várias cadeiras, tornando-o um refúgio singular nas horas de maior calor.
Nos escritos de 1841 de Paulo Perestrello da Câmara, a Quinta da Achada surge descrita como uma propriedade elegante, rodeada por um vasto arvoredo de castanheiros e distinguida por esse castanheiro ancestral, que teria atraído os primeiros habitantes àquela elevação fértil. O autor destaca também a localização privilegiada do Campanário, contrastando com a profundidade impressionante dos vales que descem para o Curral das Freiras.
Poucas décadas depois, em 1888, a mesma quinta foi visitada pelo Marquês Degli Albizzi, que deixou um testemunho bem diferente do de outrora. Segundo o viajante, o antigo solar de João da Câmara encontrava-se então em estado de abandono, reduzido a ruínas e rodeado por um cenário de descuido. Ao lado da casa permaneciam dois grandes castanheiros, um deles o famoso exemplar do Campanário, dentro do qual chegara a ser construído um pequeno compartimento fechado por porta. O que antes fora um recanto aprazível tornara-se, à época da visita, apenas um abrigo improvisado para cabras. Albizzi descreve o local como melancólico, embora a paisagem circundante oferecesse vistas amplas sobre o mar e até à Calheta.
Através desta fotografia e dos relatos históricos, é possível reconstituir, ainda que parcialmente, a memória de um espaço que marcou a paisagem e a história do Campanário, mas do qual, ao que tudo indica, já nada resta fisicamente.
